DE VOLTA PARA O PRESENTE
 Inauguração do Cine Marabá em 1945 (foto: Salas de Cinema de São Paulo)
Anna e eu estivémos ontem na reinauguração do Cine Marabá, programa imperdível para quem é apaixonado por São Paulo e gosta de cinema. É verdade que não é mais a antiga sala que acomodava mais de 1.500 pessoas, mas não deixa de ser um bom sinal de que a Cinelândia Paulista tem salvação. A maioria dos cinemas da região virou igreja ou se dedicam aos filmes pornográficos. Espero que recuperem, também, o Marrocos, o Ipiranga, o Saci e tantas outras salas que antigamente faziam da região entre República, Arouche e Anhangabaú uma importante alternativa cultural para o povo paulistano. Como não poderia deixar de ser, o Marabá agora é um mini-multiplex, com 4 salas menores e uma grande, que preserva a tela original, mas agora equipada para projeção de filmes em 3D. O equipamento de som também está impecável. E o saguão de entrada, todo restaurado, dá uma idéia de como ir ao cinema era, mais que entretenimento, um evento social. O que é ruim é o espaço entre as fileiras de cadeiras, que também são um tanto rígidas demais. Deve ser para lembrar o desconforto da época que o então decadente Marabá era um pulgueiro. Também não gostei da bomboniere modernosa no centro do saguão de entrada. Podiam ter feito um balcão que respeitasse o clima nostálgico criado pelo mármore, pelas colunas, pelo lustre francês e pelo enorme espelho antes do corredor que leva às salas. Ah, sim! Outra vantagem é o preço, razoavelmente mais baixo do que os cinemas de shopping que o paulistano se habituou a freqüentar.
Escrito por Makoto® às 18:24:56
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COISAS DE CRIANÇA
 © John-Francis Bourke/zefa/Corbis
Há, no senso comum brasileiro, todo um conjunto de coisas que são “de criança” e “de adulto”. De modo geral, esses rótulos indicam um tipo de proibição. Se você é criança, as coisas de adulto exercem um fascínio quase irresistível. Queremos ter e fazer coisas de adultos porque queremos ser grandes logo. Por outro lado, se você é adulto, as coisas de criança geralmente provocam um grande saudosismo, afinal, já experimentamos todas as coisas de criança (a não ser aquelas que foram, para o nosso azar, inventadas depois que já éramos adultos) e sabemos como elas são boas. Em geral, uma criança de atitudes adultas é considerada infeliz por não ter infância e um adulto de atitudes de criança é considerado imaturo e irresponsável. Ao mesmo tempo, todos exigem de nós que nos tornemos maduros quando crianças e esperam que não percamos o coração de criança quando adultos. Isso faz sentido? Acredito sinceramente que não. Coca-Cola sempre foi o refrigerante de adulto. Para as crianças, havia as várias tubaínas, ou a Fanta ou qualquer coisa do gênero. Sempre que peço uma Fanta Uva, me olham como se estivesse pedindo refrigerante de criança. Eu mesmo brinco com isso. O que faz da Fanta, especialmente a de uva, um refrigerante de criança? E o que torna a Coca-Cola um refrigerante de adulto? As festas de aniversário também perdem um bocado da graça. Festas de adulto, em geral, são jantares, baladas ou churrascadas. Nada contra essas práticas, mas sinto falta dos das bexigas, das brincadeiras, de ficar correndo pela festa com os brinquedos que acabamos de ganhar. Sinto, principalmente, falta dos docinhos de festa. Bolo até que não me faz falta, mas já repararam como grande parte das festas de adulto não tem brigadeiro, cajuzinho, beijinho, olho de sogra e coisas do gênero? Algumas até trazem versões mais sofisticadas — e gostosas — dos tradicionais doces de festa, mas elas não têm a mesma graça, a mesma mágica dos tradicionais docinhos de criança. E o que dizer dos pais que levam seus filhos pequenos para assistir Bicicletas de Bellville ou Valsa com Bashir?! Já cansei de ouvir pessoas reclamando que é inaceitável alguém fazer um desenho animado tão violento como Akira ou tão cheio de conteúdo sexual como A Lenda do Demônio, como se fossem obras destinadas ao público infantil. E, definitivamente, Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol não é uma obra para crianças. Mesmo que seja história em quadrinhos. Não sei o que é pior: tratarem as coisas de criança como se fossem algo proibido a adultos mentalmente saudáveis ou confundirem artigos para adultos com artigos para crianças só por causa do formato. P.S.: Se você não entendeu, clique aqui.
Escrito por Makoto® às 13:09:37
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FUTEBOLÍSTICAS VI
 © Jim Cummins/Corbis
Intervalo no Maracanã e o Corinthians vence o Fluminense por 2 a 0. Naturalmente, não tenho como prever o resultado final, mas é bem pouco provável que, com o não-futebol que está jogando, o Tricolor das Laranjeiras consiga marcar os 4 gols que precisa para alcançar a semifinal da Copa do Brasil. Quem acompanha este blog há mais tempo sabe que não sou corintiano. Aliás, quem me conhece sabe que se existe um time de quem faço questão de fazer piada sempre que posso é o Corinthians. E, no entanto, esse time tem algo que me faz ficar emocionado, apaixonado que sou pelo futebol, mesmo que não tenha uma paixão de verdade por algum clube (embora eu geralmente me defina como simpatizante fervoroso do S. José e não tão fervoroso do Juventus da Mooca). O Corinthians não tem o melhor elenco. Acredito que o S. Paulo ainda tem o elenco mais equilibrado do país, mesmo que não venha apresentando um bom futebol e tenha tanta gente no departamento médico. O Corinthians também não é o time mais técnico. Acredito que Internacional e Cruzeiro sejam as melhores equipes do país nesse quesito. Mas não tenho dúvida de que, no momento, é o Corinthians quem joga o melhor futebol do país. Os torcedores corintianos mais eufóricos falam de Ronaldo, falam de Mano Menezes, falam de Alessandro, Dentinho, Elias, Felipe, André Santos, Chicão… E há a Fiel. Não acredito que seja possível medir a paixão de uma torcida, mas a Fiel tem uma relação com esse clube que é comovente. E, de fato, a força desse Corinthians está no encantador conjunto formado por seu técnico, seus jogadores e sua torcida. Não faz muito tempo, eu ainda lembro, havia um Corinthians muito diferente. Não era um time, mas um bando de jogadores que corriam perdidos atrás de uma bola, fazendo chorar sua apaixonada torcida e rir as muitas torcidas adversárias. Hoje, vejo um time organizado, lúcido, seguro, mesmo quando joga mal. O Corinthians de Mano Menezes joga com inteligência, com eficiência, com garra, que a Fiel tanto presa, e, vez ou outra, até com genialidade e plasticidade. Assim como muitos comentaristas, também penso que a passagem no ano passado pela Série B fez bem ao Corinthians. Mas não acho que seja por conta da mudança na diretoria ou pela contratação do Mano ou, ainda, pela formação da equipe que foi a base da atual. É claro que tudo isso é importante, fundamental até, mas tudo isso poderia ter acontecido mesmo sem o rebaixamento. O Corinthians conquistou o acesso à primeira divisão com facilidade e isso era pura obrigação. Mas, para um grande clube, uma passagem pela Série B, mesmo que curta, não é coisa de um ano apenas. É uma cicatriz que leva muito tempo para ser apagada. O Corinthians joga em 2009 como um time que precisa apagar essa marca. É um time que tem algo a provar. Neste momento, o Fluminense faz seu segundo gol. Precisa de mais dois, a torcida e o time voltam a acreditar. O Corinthians tem caído de rendimento no segundo tempo nos últimos jogos. Isso não muda minha opinião sobre esse time corintiano. Vejo um time em que os jogadores fazem mais do que sabem ou podem. Em outra situação, em outra equipe, duvido que rendessem tanto, duvido que tivessem tanta vontade. Mas estão no Corinthians e, ao contrário do que o discurso pronto da maioria dos jogadores costuma reproduzir, eles precisam provar que são dignos de vestir o pesado manto alvinegro e o Corinthians precisa provar, sobretudo para si, que nunca deixou de ser grande. P.S.: O jogo ainda não acabou, mas o Corinthians está acuado pelo Fluminense. Honestamente, acho que será mais divertido se o Corinthians perder a vaga, já que terei mais gente de quem rir amanhã. Além disso, a escola fica bem mais tranqüila quando o Corinthians perde. Mas isso não muda nada do que eu disse acima.
Escrito por Makoto® às 22:51:04
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