No ar desde 13 de abril de 2004
Ano VI
versão 6.1

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MAIS UM ANIVERSÁRIO


© Roulier/Turiot/photocuisine/Corbis

Estou sem tempo, mas preciso registrar mais um aniversário do blog. Agora são 5 anos, idade em que já não engatinhamos, mas ainda não temos total equilíbrio sobre nossas pernas. Acho que essa descrição se encaixa muito bem aqui.

Quero agradecer a todos os que ainda passam por aqui e a todos os que em algum momento freqüentaram este espaço. Também quero agradecer a todos os que me ajudaram nessa jornada bloguística, como leitores e como leituras, mesmo que estas últimas estejam bem atrasadas. Talvez um dia eu me torne um bom blogueiro e isso será, sem dúvida, graças a vocês.



Escrito por Makoto® às 18:23:36
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WATCHMEN (Watchmen) (EUA) (2009)

   

No final da década de 1970, a Lei Keene baniu todos os heróis mascarados dos Estados Unidos, restando na ativa apenas o Dr. Manhattan (Billy Crudup), o Comediante (Jeffrey Dean Morgan), agentes oficiais do governo norte-americano, e Rorschach (Jackie Earle Haley), colocado na ilegalidade. Quando o Comediante é assassinado, Rorschach deduz que existe uma conspiração para eliminar os antigos vigilantes e inicia sua investigação. Enquanto isso, as tensões entre Estados Unidos e União Soviética parecem levar a uma inevitável III Guerra Mundial.

Baseado na clássica série escrita por Alan Moore, Watchmen é, certamente, uma das melhores adaptações já feitas dos quadrinhos para o cinema. Há, inevitavelmente, grandes alterações no enredo e, no entanto, aquilo que há de essencial permanece. As alterações até se justificam, já que a transposição direta do roteiro de Moore para a tela simplesmente renderia um filme de pelo menos 5 horas, uma vez que há muitas tramas paralelas que ajudam a construir o cenário.

O mundo de Watchmen é bem diferente do nosso, uma vez que a presença de heróis mascarados, especialmente o poderosíssimo Dr. Manhattan, desequilibra a balança da Guerra Fria em favor dos americanos, o que provoca alterações sensíveis na história, como o resultado da Guerra do Vietnã. Ao mesmo tempo, é um mundo assustadoramente parecido com o nosso, reconhecível especialmente se você tem alguma idéia do medo que tínhamos de uma guerra nuclear nos anos 80 (meu caso) ou nas décadas anteriores.

Watchmen também trata do eterno dilema heróico que é o binômio poder e responsabilidade. Ainda que apenas o Dr. Manhattan tenha superpoderes, todos eles são dotados de recursos físicos ou tecnológicos que os destacam do resto da humanidade. Mas os heróis são forçados a conviver com o fato de que sua presença não serviu para tornar o mundo um lugar melhor. Em certos casos, a impressão que se tem é exatamente oposta. Diante dessa realidade, sua motivação se torna questionável, uma vez que foi muito mais o espírito de aventura e não exatamente o altruísmo que os levou a vestir máscaras.

O filme conta com bons efeitos e cenas de ação bem coreografadas, mas não o suficiente para agradar o público que se acostumou com outras adaptações como X-Men, Batman Begins ou O Homem de Ferro. Watchmen não é uma obra de quadrinhos convencional e, portanto, não poderia dar origem a um filme convencional. O foco não está na carreira heróica, mas nos problemas morais que a existência de heróis mascarados implica.

De negativo, ao menos para mim, as cenas de violência excessivamente explícitas. Considero absolutamente dispensável mostrar de maneira tão descarada mutilações, fraturas e coisas do gênero. Já estamos anestesiados demais pela violência que vemos no dia a dia. Não precisamos que nos ajudem a nos acostumar ainda mais.



Escrito por Makoto® às 17:45:06
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MÁRCIO MOREIRA ALVES (14/07/1936 - 03/04/2009)

Senhor presidente, senhores deputados,

Todos reconhecem ou dizem reconhecer que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No entanto, isto não basta.

É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das mulheres, como já começou a se estabelecer nesta Casa, por parte das mulheres parlamentares da Arena, o boicote ao militarismo. Vem aí o 7 de setembro.

As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Seria necessário que cada pai, cada mãe, se compenetrasse de que a presença dos seus filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile.

Esse boicote pode passar também, sempre falando de mulheres, às moças. Aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje, no Brasil, que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa àqueles que vilipendiam-nas.

Recusassem aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam. Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das forças armadas, falando e agindo em seu nome. Creia-me senhor presidente, que é possível resolver esta farsa, esta democratura, este falso impedimento pelo boicote. Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre os civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia.

Só assim conseguiremos fazer com que os silenciosos que não compactuam com os desmandos de seus chefes, sigam o magnífico exemplo dos 14 oficiais de Crateús que tiveram a coragem e a hombridade de, publicamente, se manifestarem contra um ato ilegal e arbitrário dos seus superiores.

Íntegra do discurso proferido por Márcio Moreira Alves, então deputado pelo MDB, no dia 2 de setembro de 1968, em protesto pela prisão de participantes do XXX Congresso da UNE. Esse discurso levou a Junta Militar a pedir sua cassação, recusada pela Câmara, fato que levou à instituição do AI-5, considerado um marco da ditadura militar.



Escrito por Makoto® às 22:42:48
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Sou quase assim, mas não tão bonito
Filipe Makoto Yamakami,
30 anos, professor de História e Geografia na rede pública estadual, músico e escritor nas horas vagas, residente em São Paulo, SP, Brasil, protestante praticante e ativo, social-democrata (órfão), perdidamente apaixonado por Anna Carolina Bittencourt Russo.

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