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DIMENSTEIN, O VALE-CULTURA, AS REVISTAS DE MULHER PELADA E OS GIBIS
Absolutamente lamentável a postura do colunista Gilberto Dimenstein ao comparar gibis a revistas de mulheres nuas (http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u661085.shtml), especialmente quando dá a entender que gibis não são uma publicação cultural. Como, então, o senhor Dimenstein explica o fenômeno de milhões de crianças no mundo inteiro que, como eu, aprenderam a ler antes mesmo de entrar em idade escolar graças aos gibis? E quanto às inúmeras publicações que têm como referência cenários, contextos e conceitos que ajudam a ilustrar aulas de literatura, história, geografia e até mesmo sociologia e filosofia nas escolas? E o que dizer dos incontáveis exemplos de pessoas que se aproximaram de grandes autores como Júlio Verne, Monteiro Lobato, Kafka, Machado de Assis, entre tantos outros, graças às publicações em quadrinhos?
Posso estar errado, mas me parece que o senhor Dimenstein comete um equívoco muito comum, que é o de rotular como "produção cultural" apenas algo "elevado", "sublime". Ora, a cultura é tudo isso e muito mais. A cultura é todo o repertório de conhecimento por meio do qual o homem expressa sua visão da realidade. Mais ainda, é o meio pelo qual ele interfere nessa realidade, se apropria dela. Nesse sentido, até mesmo as revistas de mulheres e homens pelados são uma produção cultural.
O que, talvez, se pode discutir é a qualidade, o valor dessa produção cultural. O juízo de valor é livre. Cada um de nós tem o direito de expressar sua opinião sobre o valor dessa ou daquela publicação. No entanto, é absolutamente impensável que se desqualifique uma publicação, afirmando não ser uma produção cultural, sobretudo os gibis, pelos motivos citados acima.
Acredito que o senhor Dimenstein cometeu um deslize. Acredito que ele, se tivesse pensado, jamais afirmaria que gibis não são bens culturais. O fato é que ele o fez, provavelmente pelo mesmo motivo que todos nós, quando não paramos para escolher bem as palavras, falamos o que não gostaríamos de falar. E, infelizmente, muitas vezes, aquilo que falamos sem pensar é exatamente aquilo que pensamos.
Cansado, muito cansado. E a pilha de provas a serem corrigidas arreganha os dentes. Será que consigo vencer essa batalha? Será que essa guerra tem fim?
O SEGREDO DE KELLS (Brendan and the Secret of Kells) (Fança/Bélgica/Irlanda) (2009)
Na Irlanda do século VIII, em meio à expansão normanda, os monges da abadia de Kells tentam construir uma muralha para se protegerem dos inimigos. A chegada do irmão Aidan perturba a rotina de Kells, deixando o abade Cellach profundamente contrariado, especialmente porque seu sobrinho, o jovem Brendan, parece muito mais interessado no lendário Livro de Iona do que na construção da muralha. Dizem que o Livro de Iona trará luz a um mundo mergulhado nas trevas e que ele trará de volta a esperança há muito perdida. Mas, para isso, ele precisa ser terminado e Brendan parece ser o escolhido para a tarefa. Ele terá a ajuda de Aidan e outros amigos, mas talvez isso não seja suficiente para convencer seu tio a deixar de lado a muralha.
Assisti O Segredo de Kells num festival de cinema infantil promovido pela rede Cinemark. Trata-se de uma fabulização bem feita em cima de uma história real. O Livro de Kells é considerado um dos mais importantes exemplares da arte sacra medieval irlandesa. Trata-se de uma compilação dos quatro evangelhos, ricamente ilustrada com gravuras e iluminuras de alto grau de elaboração. Era usado mais para a liturgia do que para o estudo, uma vez que foram encontrados vários erros de cópia jamais corrigidos e a composição das páginas obedece a um projeto estético, em vez de facilitar a leitura. Foi produzido entre os séculos VIII e IX, época em que os normandos (mais conhecidos como vikings) empreenderam duros ataques à Europa Ocidental.
A animação mistura elementos simples de animação tradicional, com traços bem infantis, mas os recursos de computação gráfica são bem perceptíveis a observadores mais atentos. O mérito da equipe técnica foi ter harmonizado com competência a animação tradicional e a computadorizada, de modo que uma não destoa da outra. Também é muito boa a composição de som. Tudo na medida certa, ajudando a contar a história.
O roteiro trabalha muito bem com o imaginário medieval, especialmente o misticismo católico de uma época em que não havia muita distância entre imaginação, fé cristã e superstição pagã (paganismo entendido aqui como uma generalização dos cultos camponeses resultantes da mistura do politeísmo romano com o xamanismo germano e o cristianismo popular). Esse trabalho é tão bem feito que o final pode ser interpretado de muitas maneiras diferentes, mesmo que a lógica e um bom conhecimento de história apontem para um único caminho. Mas acho que nem todos têm um historiador de plantão para explicar o final, muito menos um historiador especializado em História Eclesiástica.
Cansado de viver numa cidade que não respeita suas lembranças, o vendedor de balões Carl Fredricksen (voz de Chico Anysio na versão brasileira) decide realizar o sonho de sua falecida esposa e levar a casa onde viveram para uma misteriosa região na América do Sul. Ele conta com a inesperada companhia de Russel, um pequeno escoteiro em busca da insígnia por ajudar um idoso, o cachorro falante Doug e uma estranha ave gigante.
Difícil resumir Up sem estragar a surpresa. Isso acontece porque, na verdade, o filme é bastante previsível. É claro que ele não foi feito para mim, que tenho 30 anos, mas para o público infantil, que certamente vai adorar o filme. E ele realmente merece ser visto e elogiado.
Conciliar a frieza e precisão matemática dos recursos tecnológicos e a suavidade e emotividade da arte de se contar histórias é uma tarefa bastante complicada. A Pixar continua mostrando muita competência ao administrar esse difícil casamento. Texturas, movimentos, cores, tudo parece estar no lugar certo, na medida certa. A edição de som também está impecável, assim como a belíssima trilha sonora.
O ponto mais forte de Up certamente é o roteiro, especialmente pela sensibilidade sutil de muitas cenas. Já vi grandes atores expressarem sentimentos intensos sem que uma única palavra fosse necessária, mas nunca imaginei que isso poderia acontecer num filme de computação gráfica. A Pixar conseguiu criar um personagem realmente humano. Mesmo com seus traços caricatos e nitidamente artificiais, ninguém se lembra que Carl Fredricksen é só um boneco de computação gráfica. Ele é o avô que todos gostariam de ter, com todos os defeitos e virtudes de um avô de verdade.
É claro que Up não fica só na sensibilidade. Tem, também, muito riso e muita ação, afinal, é um filme para a família e, claro, para a família que tem filhos pequenos. As partes cômicas e agitadas são bastante previsíveis. Competentes, mas previsíveis. Mas a mudança de ritmo não compromete a obra. Funciona como uma peça sinfônica, com seus vários andamentos e movimentos, que compõem um todo sem que haja conflito entre as partes tão distintas entre si. Mas o modo como a primeira metade do filme é conduzida me faz crer que o riso e a ação poderiam ter mais ousadia, fugir dos clichês.
É preciso deixar claro: Up não me decepcionou. Muito pelo contrário, foi muito além das minhas expectativas, que só cresceram ao longo da primeira metade do filme. Mas faltou algo, ou melhor, sobrou. Ou talvez o problema seja eu mesmo, que estou me tornando um velho rabugento.
Seja como for, Up entra na minha lista de filmes obrigatórios e certamente fará parte da minha cinemateca assim que sair o DVD.
O Jabaquara é um ponto sensível do sistema de transporte paulistano por quatro razões: o terminal rodoviário que recebe os ônibus que vêm do litoral, o terminal rodoviário urbano que recebe ônibus de vários pontos da Zona Sul e do ABCD, o gargalo formado pelo estreitamento da avenida de três para duas pistas e início da ponta sul da linha azul do metrô.
Cheguei à estação Jabaquara às 6h30 e, aparentemente, estava tudo normal. Havia dois trens parados, os carros já cheios, mas não lotados, e poucas pessoas na plataforma à espera do próximo trem. Cheguei a conseguir um lugar para me sentar. Com o passar do tempo, o trem foi ficando cada vez mais cheio. Depois de meia hora esperando a partida, decidi sair do trem (o que foi bem difícil) e pegar um ônibus. As plataformas já estavam abarrotadas e havia filas enormes, até o lado de fora da estação, nas catracas, que tinham sido travadas para evitar que houvesse maior aglomeração nas plataformas. Do lado de fora, o ponto de ônibus estava lotado e as pessoas se empurravam e apertavam nos ônibus já lotados por conta do horário. Como nenhum ônibus conseguia sair, devido ao grande número de passageiros que tentavam embarcar, nenhum ônibus conseguia se posicionar para embarque e desembarque, o que provocou um congestionamento muito grande na região. Como conheço bem o lugar, me lembrei de uma avenida razoavelmente próxima onde eu poderia pegar outras linhas de ônibus que não passariam pela estação Jabaquara. Andei três quadras (grandes) para descobrir que muita gente tinha pensado exatamente o mesmo. Então, andei mais três quadras (também grandes) para tentar um ponto mais vazio, o que finalmente consegui. O ônibus seguiu com lentidão durante boa parte do trajeto. Enquanto andava do ponto de ônibus até a escola, ainda ouvi pelo rádio que o problema “já” tinha sido resolvido, mas que ainda seriam necessários “alguns minutos” para que o sistema voltasse a operar normalmente. Resultado: cheguei na escola às 8h30, 1h30 atrasado, e perdi as duas primeiras aulas. Outros quatro professores também chegaram atrasados. Boa parte dos alunos nem chegou.
As notícias ainda não são muito esclarecedoras, mas, hoje, por “problemas no equipamento de via na estação Liberdade”, todo o sistema travou. Segundo o metrô, os trens continuaram “circulando com velocidade reduzida e maior tempo de parada”. Semanticamente correto, afinal, 0 km/h é uma velocidade muito baixa e meia hora (que foi o que eu tive paciência para esperar) é realmente uma parada longa.
A foto acima não é de hoje, mas poderia ser. É assim que fica a estação da Sé quando, por alguma razão, o metrô de São Paulo pára (ainda uso acento diferencial — enquanto Portugal não assinar o tratado da reforma ortográfica, eu também não assino). Estamos acostumados a acompanhar pelo noticiário o caos que é o trânsito na cidade de São Paulo. A impressão geral é de que a coisa é ruim para quem dirige ou usa ônibus, o que é bem verdade, mas também não é muito melhor para quem depende de trem ou metrô.
Explico.
É fato que a quilometragem percorrida pelo sistema metroviário aumentou consideravelmente nos últimos anos. É fato, também, que cresceu muito mais rápido nos últimos 10 anos do que em todo o período anterior somado. Outro fato é que há, ainda, um grande número de regiões da cidade que têm acesso muito precário por estarem longe demais das linhas de metrô. Finalmente, é fato que o metrô é uma solução inteligente para o problema da locomoção na cidade.
O problema é que a expansão das linhas e o sistema de integração com o ônibus aumentou muito rapidamente o número de passageiros transportados por dia. Por mais que haja investimento em novos trens com maior capacidade de transporte e que o planejamento logístico permita que haja menor intervalo entre os trens, o fato é que essas ações só terão resultado sensível depois de um certo tempo e não na mesma proporção em que cresce o número de usuários. E, considerando o ritmo de expansão do metrô, ainda que muito lento em face das necessidades da cidade, a pressão sobre o sistema aumentará ainda mais nos próximos anos.
A grande falha do projeto do metrô paulistano é o modo como as linhas se cruzam. Se observarmos o mapa (as linhas tracejadas estão em projeto ou em construção) da rede ferroviária-metroviária da região metropolitana da capital, podemos ver que o número de cruzamentos é até grande, mas elas são muito distantes entre si. Sem linhas que façam trajetos paralelos por uma extensão significativa, todos os passageiros que percorrem, por exemplo, a rota norte-sul precisam usar a linha azul. Se houver problemas em algum ponto da rede, então, a situação torna-se caótica, pois automaticamente haverá saturação no sistema de ônibus, o que por si só basta para travar o tráfego de automóveis nas imediações das estações de metrô. Os que têm possibilidade de sair de casa depois que o problema acontece tiram o carro da garagem, o que complica consideravelmente a situação.
Linhas paralelas não resolvem o grande problema do metrô, que é o excesso de passageiros, mas desafogariam o sistema como um todo, além de agilizar o acesso a diversas regiões da cidade. E se, por algum motivo, como hoje, houver interrupção em algum ponto da rede, linhas paralelas poderiam absorver parte do impacto, mesmo que a operação se torne mais lenta no total. O problema é o custo de implantação disso, já que São Paulo não foi projetada para atender usuários de transporte coletivo.
As autoridades, é claro, dizem que estão fazendo o possível para oferecer ao público transporte coletivo eficiente, confortável e por um preço justo e que é preciso mais tempo para que a solução seja alcançada. O complicado é que a tendência é o problema crescer muito mais rapidamente do que a solução pode chegar, ou seja, quando tivermos uma solução, ela já estará obsoleta. E isso se tivermos gente competente e bem-intencionada gerenciando o transporte e o tráfego em São Paulo. Não tenho como avaliar as intenções de quem está lá, mas certamente competência está em falta. A questão da competência, porém, poderia ser resolvida de uma maneira muito simples. Basta obrigar os operadores de trânsito, os engenheiros de tráfego e, principalmente, os secretários de transporte e todos os seus subordinados a irem para o trabalho usando transporte público diariamente. O difícil vai ser convencer a Câmara Municipal a aprovar isso.
Estamos na segunda semana de aula do semestre. Era para ser a quarta, mas, como sabem, a rede pública paulista foi colocada sob quarentena para reduzir os riscos de contágio por gripe suína. O número de casos tem crescido mais lentamente nos últimos dias. Ainda assim, ainda temos algumas professoras afastadas do trabalho por se enquadrarem no grupo de risco, isto é, estão grávidas.
Nessas últimas semanas, escutei muita gente reclamando sobre a quarentena. O argumento principal é que ela não resolveu grande coisa, já que um grande número de jovens que estaria nas escolas automaticamente passou a se concentrar nos shoppings, baladas e outras aglomerações que, em tese, deveriam ser evitadas. Também existe o fato de que um estudante que tenha se contagiado poucos dias antes do fim da quarentena ainda poderia contagiar seus colegas, já que o período de contágio do vírus é de vários dias.
Considero, porém, que o governo tomou uma medida acertada, se não no aspecto pedagógico ou sanitário, ao menos no campo político. Todas as projeções apontavam para um rápido crescimento do número de casos no Estado de São Paulo, o que se confirmou com o tempo, ou seja, inevitavelmente um grande número de jovens estaria sujeito a contrair a doença. Suspender as aulas por duas semanas realmente não teria efeito prático nenhum diante desse quadro, mas livrou o Estado de ter que responder por um problema que ele não precisava ter. Vejam bem: se as aulas ocorressem normalmente e estudantes ficassem doentes, o lugar mais provável do contágio seria a escola. E, nesse caso, a opinião pública e a imprensa cairiam sobre o governo, que não tomou nenhuma atitude para evitar isso. Fechar as escolas por duas semanas não impediu que a doença se alastrasse, não resolveu o problema principal, mas eliminou um efeito colateral que, embora menor, seria bastante incômodo e tomaria muito tempo, que poderia ser mais bem empregado no enfrentamento do problema principal. (Se essa última parte foi mesmo cumprida já é uma outra discussão).
Quanto a mim, não aproveitei muito bem essas duas semanas de quarentena. Não lembro de ter chegado tão fisicamente esgotado ao recesso de julho quanto neste ano. Duas semanas antes do recesso, já quase não tinha voz para dar aulas. Depois, gastei muito tempo corrigindo provas e lendo trabalhos. Várias noites sem dormir ou dormindo pouco. No último dia de trabalho, fui atingido por uma dura intoxicação alimentar que me deixou inútil por dias. Logo em seguida, uma forte crise alérgica, sucedida por uma virose. E, então, na segunda semana do recesso, uma forte gripe me atacou (não era a suína) e só me largou no final da semana retrasada, ou seja, poucos dias antes do fim da quarentena. Hoje ainda estou tossindo um pouco e sempre termino o dia sem voz, porque a garganta ainda não se recuperou totalmente. No ritmo que estou, duvido que se recupere.
P.S.: A conseqüência ruim da quarentena é a reposição de aulas aos sábados. Só vou ter folga aos domingos até o final do ano.
Há coisa de algumas semanas, acompanhei uma discussão no fim-de-tarde esportivo da rádio Transamérica em que cada um dos participantes (jornalistas, radialistas e até comediantes) fez uma lista do que consideravam ser os 10 maiores esportistas brasileiros de todos os tempos. Como não podia deixar de ser, a maior parte dos nomes veio do mundo do futebol. Então, resolvi fazer a minha lista e fiquei surpreso com o que apareceu.
Como critério, considerei títulos e prêmios internacionais, a época em que atuaram e a projeção que tiveram dentro e fora do Brasil. A ordem que os nomes aparecem na minha lista não indica, necessariamente, o nível de importância que atribuo a eles. E, como não podia deixar de acontecer, muita gente realmente importante ficou de fora.
Última observação antes da lista, Pelé é hors concours.
1. Maria Esther Bueno (tênis) - quatro vezes campeã mundial, várias vezes campeã em torneios do Grand Slam em simples, duplas e duplas mistas;
2. Carmo de Souza, o Rosa Branca (basquete) - bicampeão mundial, medalhista olímpico e panamericano, tetracampeão sulamericano;
3. Robert Scheidt (vela) - octacampeão mundial da classe laser, medalhista olímpico e panamericano;
4. Gustavo “Guga” Kuerten (tênis) - três vezes campeão em Roland Garros e vários títulos da ATP;
5. Ayrton Senna da Silva (automobilismo) - três vezes campeão da Fórmula 1, considerado um dos mais geniais pilotos de todos os tempos;
6. Ricardo Prado, o Pradinho (natação) - recordista mundial dos 400m medley (1982), prata olímpica em 1984, 7 medalhas panamericanas, duas medalhas pan-pacificas;
7. Hortência Marcari, a Rainha Hortência, e 8. Maria Paula Gonçalves da Silva, a Magic Paula (basquete) - impossível considerar uma separada da outra, campeãs mundiais e panamericanas, medalhistas olímpicas, integram o Hall of Fame do basquete;
9. Maurren Maggi (atletismo) - medalhista olímpica e panamericana, recordista sulamericana e brasileira no salto em distância;
10. William Carvalho da Silva (vôlei) - levantador da Geração de Prata.
Menções muito mais que honrosas: Oscar Schmidt, Luísa Parente, Rodrigo Pessoa, Ronaldo Fenômeno, Ademir da Guia, S. Marcos (goleiro), Daiane dos Santos, Daniele e Diego Hypólito, Zico, César Cielo, Giba do vôlei, Cláudio Kanno, Ana Mozer, Fernanda Venturini e a lista é interminável.
G.I. JOE: A ORIGEM DE COBRA (G.I. Joe: The Rise of Cobra) (EUA) (2009)
Num futuro próximo, uma importante indústria bélica desenvolve nano-robôs que podem ser programados para as mais diversas tarefas. A invenção torna-se o pivô de uma guerra entre a super-organização terrorista Cobra e uma força militar multinacional secreta chamada de G.I. Joe.
Como fã da antiga série de animação, produzida pela Hasbro para vender brinquedos (para quem não sabe, no Brasil foi rebatizada de Comandos em Ação), devo dizer que fiquei bastante satisfeito com o filme. Ele respeita o espírito da antiga série, inclusive com todos os clichês, as situações absurdas do ponto de vista da física e as inconsistências lógicas. Algumas idéias do filme funcionam até melhor. Exemplo disso é o modo como se retrata a origem da organização Cobra e de seu líder, o Comandante Cobra. As primeiras temporadas da série animada nunca se preocuparam em mostrar isso e, quando tentaram explicar na última temporada (aquela que nunca deveria ter sido feita), o resultado foi uma catástrofe absolutamente e absurdamente lamentável. Os roteiristas fizeram bem em descartar isso e recontar essa parte da história.
O filme tem problemas, a começar pelo excesso de clichês, as situações absurdas do ponto de vista da física e as inconsistências lógicas. Antes que me crucifiquem por ser incoerente, vou me explicar. Se você tem mais de 12 anos (e acredito que essa seja a condição de todos os meus leitores), tudo isso realmente se torna um problema. Os diálogos não têm nenhum brilhantismo, nem mesmo uma criatividade pobre. Além disso, há um enorme conjunto de situações absurdamente forçadas que nem mesmo o público adolescente conseguiria levar a sério. Outro problema do roteiro são os flashbacks, quase todos dispensáveis, a começar pelo primeiro, que já entrega todo o filme. O problema mais grave é com os efeitos especiais. A renderização é muito ruim, de modo que as cenas em computação gráfica nem remotamente parecem reais. Não sei qual foi o orçamento do filme, mas dá a impressão de que tentaram economizar nessa parte.
Se eu tivesse entre 10 e 12 anos, que foi a época em que acompanhei a série de animação, daria quatro estrelas para o filme. Com a cabeça de hoje, só duas. Então, a média dá três, o que costuma ser a minha nota para filmes que divertem mas que não acrescentam grande coisa e podem ser ignorados sem grande peso na consciência.
A vida está cheia de situações que nos levam a perguntas sem resposta. Um bom exemplo é por quê ,em seis anos de namoro, nunca dei flores para a Anna? Vez ou outra ela comenta isso comigo e eu, não sei bem o motivo, invariavelmente acabo esquecendo. Não que eu nunca dê presentes, muito pelo contrário, estou sempre de olho para ver se encontro algo que vá fazê-la sorrir. Mas nunca lembro das flores.
Hoje completamos seis anos juntos. Então, resolvi escolher uma foto de flores para dedicar a ela. Claro que não é a mesma coisa que flores de verdade, mas já é uma evolução.
Seis anos juntos é um bocado de tempo, ainda mais se considerarmos o padrão atual de superficialidade dos relacionamentos. Não acho que Anna e eu sejamos um modelo a ser seguido, porque há casais que conhecemos que estão juntos há muito mais tempo, mas estamos no caminho certo. Os primeiros seis anos foram bons, foram difíceis também, mas foram bons, bons o bastante para me fazer ter certeza de que quero comemorar muitos outros aniversários com ela.
Quanto à pergunta inevitável sobre casamento, está nos planos. Só não partimos para isso ainda porque as circunstâncias da vida não permitiram, mas estamos tentando dar um jeito nisso. Seja quando for, eu tenho certeza de que não vamos pular fora, porque já enfrentamos muita coisa juntos e porque não consigo mais fazer planos em que ela não esteja incluída.
Acho que é isso o que tenho a dizer hoje. Lamento se o post não é grande coisa em termos literários, mas não é sempre que consigo escrever algo gostoso de se ler. Eu até queria pensar por mais tempo e montar um texto melhor, mais bonito, porque a data merece, mas achei melhor postar no dia certo. O post é meia-boca, mas o sentimento não é.
Para finalizar, quero agradecer a todos os amigos, os reais e os virtuais, que torceram por nós durante todo esse tempo. Especialmente os amigos do mundo real sabem o quanto mudei para melhor por estar ao lado dela. No final das contas, acho que esse é o único sinal infalível de que um relacionamento faz bem.
Filipe Makoto Yamakami, 30 anos, professor de História e Geografia na rede pública estadual, músico e escritor nas horas vagas, residente em São Paulo, SP, Brasil, protestante praticante e ativo, social-democrata (órfão), perdidamente apaixonado por Anna Carolina Bittencourt Russo.